A bola começa a rolar para mais uma Copa do Mundo. Pela primeira vez, o torneio será realizado em três paÃses: Estados Unidos, México e Canadá.
Também será a primeira edição com 48 seleções, um crescimento significativo em relação à s 32 equipes que disputavam o tÃtulo até a edição passada.
Mas, apesar de toda essa grandiosidade, há algo que parece menor. Bem menor.
A Copa do Mundo já não ocupa o mesmo espaço no coração dos brasileiros. E no Nordeste então, é algo visÃvel e triste de constatar.
Antigamente, a chegada do Mundial era um acontecimento quase sagrado.
As ruas ganhavam bandeirinhas verdes e amarelas semanas antes da estreia.
As crianças pintavam o rosto. Os vizinhos se organizavam para decorar a rua. Os bares lotavam.
As famÃlias marcavam encontros. A Copa era assunto em qualquer esquina, na fila da padaria ou na conversa do fim da tarde. E se misturava com o São João em looks verde e amarelo e comemorações forrós adentro.
Hoje, muita gente sequer sabe quando o Brasil estreia.
É curioso observar isso. Afinal, em 1994 também estávamos há 24 anos sem conquistar uma Copa do Mundo.
O jejum era exatamente o mesmo. A diferença é que existia uma crença coletiva. Havia uma confiança quase irracional na camisa amarela, na mÃstica da Seleção, na possibilidade de que o Brasil sempre encontraria um jeito de vencer.
O Brasil continua sendo o maior campeão da história, mas já não entra entre os principais favoritos (em 94 também não éramos).
E, mais do que isso, a Seleção deixou de ser um sÃmbolo capaz de unir o paÃs da forma que unia décadas atrás.
As ruas permanecem sem decoração. A expectativa é tÃmida. A audiência já não é a mesma. A conversa gira em torno de muitos assuntos, e a Copa é apenas mais um deles.
Talvez porque o futebol tenha mudado. Ou o mundo tenha mudado. Talvez porque nós mesmos tenhamos mudado.
No Nordeste, existe ainda um ingrediente especial nessa equação. A Copa divide espaço com algo que pulsa muito forte no mês de junho: o São João.
Enquanto a Seleção busca recuperar seu prestÃgio, cidades inteiras estão preocupadas com as quadrilhas, os arraiais, o forró e os reencontros que fazem desta época do ano uma das mais aguardadas pelos nordestinos.
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