Lista reúne assuntos como inteligência artificial, apostas esportivas, mudanças climáticas e doação de órgãos; preparação exige repertório e treino de argumentação
A redação do Enem 2026 exige atenção dos estudantes que buscam uma vaga no ensino superior.
Além de dominar a estrutura dissertativo-argumentativa, os candidatos precisam acompanhar debates sociais, compreender problemas brasileiros e desenvolver argumentos consistentes.
Nesse contexto, especialistas do FTD Resolve, portal gratuito da FTD Educação, apontaram dez temas que merecem atenção na preparação para o exame.
A lista inclui inteligência artificial, envelhecimento da população, apostas esportivas, violência contra a mulher, saúde mental, preservação das culturas indígenas, fome, eventos climáticos extremos, analfabetismo funcional e doação de órgãos.
A relação funciona como um roteiro de estudos, não como uma previsão oficial do Inep.
Portanto, os candidatos devem ampliar o repertório e praticar a escrita sobre diferentes questões sociais, sem concentrar toda a preparação em apenas um assunto.
Os especialistas do FTD Resolve selecionaram questões que ocupam espaço no debate público e envolvem desafios sociais, éticos, ambientais e econômicos.
Confira os dez assuntos e os principais pontos que os estudantes podem estudar.
Para se preparar, o estudante pode pesquisar a relação entre inovação tecnológica, proteção de dados e desigualdade de acesso. Também vale analisar como o poder público, as empresas e as instituições de ensino podem estabelecer regras para o uso responsável da tecnologia.
O envelhecimento da população brasileira aumenta a importância das políticas de inclusão da terceira idade.
Apesar disso, pessoas idosas ainda enfrentam preconceito no mercado de trabalho, dificuldades de acesso a serviços e exclusão em ambientes digitais.
Nesse caso, o candidato pode relacionar o tema ao Estatuto da Pessoa Idosa, aos direitos humanos e às mudanças demográficas do país.
Além disso, deve considerar medidas para ampliar a participação social e combater a discriminação por idade.
As plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets, ganharam espaço no Brasil e levantaram discussões sobre endividamento, publicidade e saúde mental. O problema também envolve a exposição de jovens às campanhas de apostas e os efeitos financeiros sobre famílias vulneráveis.
Uma boa preparação deve considerar a responsabilidade das empresas, a fiscalização do setor e a prevenção da dependência em jogos.
Por isso, o estudante pode estudar a relação entre educação financeira, proteção do consumidor e políticas de saúde pública.
A legislação brasileira prevê mecanismos de prevenção e combate à violência contra a mulher.
Entretanto, a persistência dos feminicídios mostra que a existência de leis não elimina, por si só, as situações de risco.
O candidato pode relacionar o assunto à Lei Maria da Penha, às medidas protetivas e à atuação das redes de atendimento. Além disso, deve avaliar como a prevenção, a educação e a integração entre segurança pública, assistência social e Justiça podem ampliar a proteção das mulheres.
A pressão por produtividade, a hiperconexão digital e a instabilidade profissional ampliam as discussões sobre saúde mental no ambiente de trabalho.
Em algumas atividades, jornadas extensas e dificuldade de separar vida pessoal e profissional também contribuem para o esgotamento.
Para desenvolver esse tema, vale estudar a Síndrome de Burnout, os direitos trabalhistas e a responsabilidade das empresas na prevenção de riscos psicossociais.
O estudante também pode discutir como políticas públicas e ambientes profissionais mais seguros ajudam a enfrentar o problema.
A diversidade indígena brasileira inclui diferentes línguas, tradições, conhecimentos e formas de organização social.
No entanto, muitas comunidades enfrentam ameaças à transmissão de seus idiomas e à preservação de seus territórios e costumes.
Nesse contexto, o candidato pode relacionar a questão aos direitos culturais, à educação indígena e à proteção dos territórios tradicionais.
Pensadores como Ailton Krenak também podem ajudar a ampliar a reflexão sobre a relação entre sociedade, natureza e diversidade cultural.
A fome envolve fatores como renda, desigualdade social, acesso aos alimentos e distribuição de recursos.
Portanto, o problema não depende apenas da quantidade de alimentos produzidos, mas também das condições que permitem à população obtê-los.
O estudante pode recorrer às contribuições de Josué de Castro, autor que analisou a fome como um problema social e político.
Além disso, vale estudar programas de transferência de renda, alimentação escolar, agricultura familiar e políticas de abastecimento.
Enchentes, secas, ondas de calor e outros eventos extremos colocam em evidência os desafios da adaptação climática no Brasil.
As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, por exemplo, mostraram os impactos de desastres sobre moradias, infraestrutura e serviços públicos.
O tema também permite discutir o racismo ambiental, conceito relacionado à distribuição desigual dos riscos ambientais entre grupos sociais.
Para construir uma argumentação consistente, o candidato pode estudar planejamento urbano, sistemas de alerta, prevenção de desastres e proteção das populações vulneráveis.
O analfabetismo funcional ocorre quando uma pessoa apresenta dificuldades para compreender e utilizar informações escritas em situações cotidianas, mesmo que saiba ler e escrever palavras.
Esse problema afeta o acesso à informação, a inserção profissional e o exercício da cidadania. Além disso, pode dificultar a identificação de conteúdos enganosos e a compreensão de informações sobre saúde, educação e serviços públicos.
Para estudar o assunto, vale pesquisar indicadores educacionais, desigualdade de acesso ao ensino e políticas de alfabetização.
O candidato também pode discutir a importância da leitura crítica diante da circulação de desinformação nas redes sociais.
O Brasil possui um sistema público de transplantes, mas a realização de mais procedimentos depende de fatores como disponibilidade de órgãos, estrutura hospitalar e autorização familiar.
A falta de informação sobre morte encefálica e a ausência de diálogo entre familiares podem dificultar a autorização para doação.
Por isso, o tema permite discutir campanhas de conscientização, acesso à informação e organização dos serviços de saúde.
Na redação, o estudante pode relacionar a questão à solidariedade, à saúde pública e aos desafios de ampliar o número de doadores sem desconsiderar os critérios médicos e legais.
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